Vamos falar de ferramentas

Calculadora na sala de aula: usar ou não usar

Jackson Ribeiro
Autor de Matemática - Ciência, linguagem e tecnologia

Vamos falar de ferramentas

A presença cada vez mais frequente de tecnologia, dentro e fora da sala de aula, suscita dúvidas sobre a melhor maneira de conduzir o trabalho com os novos recursos. O uso da calculadora, já antiga aliada dos alunos, sempre foi alvo de questionamentos e nunca esteve tão acessível aos estudantes (tanto em termos de preço quanto de facilidade de alcance) como atualmente.

Sabemos que todos devem ser capazes de fazer cálculos com lápis e papel, porém o conhecimento de outras maneiras de calcular terá, de certo, grande importância na consolidação da cidadania do indivíduo. Sempre haverá situações corriqueiras em que não será sensato o cálculo mental, a estimativa ou o uso da calculadora.

Quando explorada de maneira adequada, a calculadora pode contribuir significativamente no processo de ensino-aprendizagem. Em sala de aula, ela se tornou um recurso de autoavaliação, podendo ser usada para verificar resultados e corrigir erros. Além disso, com o devido estímulo, o aluno pode valer-se da realização de cálculos repetitivos e demorados.

Atualmente, as calculadoras estão presentes em vários dispositivos: muitos alunos as têm como utilitário no celular. Sendo assim, o professor pode tirar proveito dessa grande disponibilidade e propor atividades com a calculadora. Algumas possibilidades de situações – problemas para serem trabalhados em sala de aula são: obter o preço de uma cesta básica composta de alimentos e outros produtos; calcular a taxa de juros de um financiamento; determinar os impostos embutidos em produtos; calcular a quantidade de arranjos, combinações ou permutações de um evento, etc.

No Ensino Médio, a calculadora pode ser utilizada explorando sua capacidade operatória, em atividades que exijam do aluno a tomada de decisões, o uso de diferentes estratégias e a resolução de problemas com um nível maior de complexidade. Seu uso pode representar uma vantagem em relação ao cálculo manuscrito no que diz respeito à agilidade no trato com números de alta grandeza, reduzindo os erros decorrentes dessas operações.

Já no caso da calculadora científica o professor deve estar preparado para auxiliar o aluno a explorar ao máximo os recursos que ela oferece. Alguns deles não são utilizados com muita frequência e podem ser pesquisados previamente pelo professor para que haja maior fluidez em sala de aula.

Nesse contexto, o planejamento das ações que envolvem calculadora em classe deve ter como objetivo contribuir para o aprendizado do aluno, observando sempre as possibilidades e limitações que o uso desse instrumento oferece, sendo importante que os alunos e o próprio professor tenham definidos os objetivos pelos quais a calculadora está sendo utilizada e em quais momentos ela será ou não uma aliada no processo de ensino-aprendizagem.